Uma vida de Sísifo ou uma vida diferente?

Para quem não sabe, o mito de Sísifo fala, resumidamente, sobre um homem reconhecido por sua astúcia. Ao decorrer da história, percebe-se claramente que ele utiliza de sua esperteza para desviar-se de punições, para beneficiar-se de pessoas e situações da qual passa. Por fim, ele tenta escapar da morte. Após persuadir e enganar pessoas e até mesmo deuses, Sísifo sofre uma punição: ele teria que empurrar uma enorme pedra morro acima, mas ao chegar lá a pedra cairia novamente e assim o ciclo se repetiria por “toda a eternidade”.

Focando no final da história, indago-me quantas pessoas, neste exato momento, estão vivendo como Sísifo. Punindo a si mesmas inconscientemente, onde são frutos de uma vida de repetições, que pouco pode evoluir. Arrastando os mesmos problemas do passado, alimentando as mesmas brigas, desejando apenas as coisas mais difíceis e desvalorizando aquilo que poderia dar-lhes um pouco de felicidade. Indago-me quantas pessoas, nesse exato momento, estão burlando a si mesmas, estão fugindo da importante missão de ouvirem a si mesmas, de encararem a própria vida e suas consequências e, como resultado disso, estão carregando algumas pesadas “pedras” morro acima.

Vivemos, sim, numa vida cheia de rotinas, uma vida até certo ponto mecanicista e que muitas vezes evita ou impede um olhar diferente para o que há ao redor. Mas quando falamos de nós mesmos (de nossa saúde mental, qualidade de vida, bem-estar e até mesmo auto estima) devemos utilizar um outro olhar. Estes mecanismos de repetição, citados acima, são frutos de nosso inconsciente – tão astuto quanto Sísifo -, mas é possível que alguns aspectos “nebulosos” venham à luz quando se busca a reflexão de nossas vidas. Este momento de parar para refletir, para autoconhecer-se, para reavaliar-se, é fundamental para aqueles que não pretendem acompanhar Sísifo em seu destino.

A rotina de trabalho pode ser cansativa, mas a convivência com nós mesmos precisa ser leve. Entrar em contato com aquilo que fazemos e somos é o caminho para modificar o nosso contexto – dos quais, muitas vezes, também é gerador de cansaço e esgotamento. Compreender aquilo que se repete de forma improdutiva, e o motivo pelo qual isso acontece, auxilia-nos a viver inovações. Não necessariamente este caminho seja fácil ou simples, mas cabe refletir qual é o tipo de vida que se deseja viver. Uma vida de Sísifo ou uma vida diferente? Para finalizar, cito uma frase de Jung que é de válida reflexão: “O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino”.

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