Vá pelo caminho inverso!

Aposto que você, leitor, neste exato momento, tem em mente alguma coisa sobre o mundo externo. Talvez você esteja preocupado ou curioso com alguma coisa que vai ou já aconteceu. Talvez você esteja pensando em alguma outra pessoa, e nas atitudes dela ou nas coisas que estão falando dela. Talvez, nesse mesmo momento em que lê este artigo, esteja, na verdade, com a mente em outro lugar. Talvez você esteja remoendo alguma coisa que quer muito falar a alguém. Uma reclamação, quem sabe? Talvez você conheça alguém que deveria melhorar, pois está causando muitos problemas ou, simplesmente, não está sendo “a melhor pessoa”.

É realmente fácil nos agarrarmos ao que está do lado de lá. Difícil mesmo é ficar aqui. Isso não seria tão banal se fossemos um pouco mais motivados a fazer o caminho inverso. Quer dizer, estamos sempre sendo estimulados a olhar o que está lá fora. As notícias, as reportagens, as revistas, a internet… E é assim que, muitas vezes, cria-se a falsa ideia de que resolvendo o material, ou o externo, nossa vida vai, como em um passe de mágica, ficar maravilhosa. Às vezes, associa-se a “infelicidade” a uma pessoa que está sendo incômoda, ou a um bem material que ainda não se adquiriu, ou a um cargo que ainda não se obteve. Embora nestas situações, quando se resolve uma coisa começa a se almejar outra… E assim a felicidade dança entra os objetivos ainda inalcançados, escorregando pelos dedos como água corrente.

Pois vou te contar um segredo, e pode ser que você não acredite nisso agora, mas: é tudo questão de foco! Se as minhas palavras não forem o suficiente, busque essa experiência. Ouse essa mudança de estratégia para a sua própria vida. Viver as experiências, senti-las e elaborá-las a partir do que ela representa para nós, é o melhor caminho para se conhecer a “verdade pessoal e íntima”.

Recentemente, estava ouvindo uma palestra e uma frase particularmente me chamou a atenção: “a vida começa da pele para dentro”. Parece simples, mas quando refletimos sobre quem somos e que tipo de funcionamento somos mais estimulados a ter, para “se ter uma boa vida” e “ser um bom cidadão”, observamos que fazemos, na maior parte do tempo, o caminho completamente oposto. Focamos e priorizamos o externo. Talvez esse seja um dos maiores exercícios e desafios dos tempos atuais: mudar de rumo e olhar para dentro de nós mesmos. Quais são as minhas reais preocupações? O que eu realmente preciso? O que significa a felicidade para mim? O tipo de vida que estou tendo, e o tipo de pessoa que sou hoje, estão me levando para o lugar que realmente desejo chegar? Qual é a minha parcela naquilo que me traz infelicidade?

O caminho para a felicidade é completamente individual. É em nosso interior, na exploração de nosso íntimo, que poderemos descobrir o que a felicidade significa para nós e como conquista-la. É possível que apenas entrando em contato com você mesmo já encontre um belo fragmento daquilo que lhe trará sossego. Embora tenhamos evoluído muito em ciência, e tenhamos desafiado a natureza com a nossa onipotente razão e inteligência, ainda nos mostramos muito frágeis por aquilo que podemos entender como auto conhecimento, e auto satisfação.

Um dado interessante é que, de uns anos para cá, os campos científicos da saúde têm dado espaço a práticas “alternativas” das quais muito se menosprezava. A meditação, por exemplo, tem trazido resultados interessantíssimos para diferentes contextos de adoecimento – psíquico, orgânico, etc. E a meditação, como bem podemos entender, é esse momento para si, é essa jornada “para dentro”.

Sejamos sinceros, somos muito limitados de poderes para que possamos mudar o outro – entretanto, gastamos muito tempo e energia pensando e julgando os demais, como se assim pudéssemos modificar determinada realidade. Deve-se ter em mente que, se realmente se busca por mudanças, pois então deveríamos começar por nós mesmos – o único ser no mundo da qual temos real poder de mudar. Pode ser que seja difícil assumir-se responsável por suas próprias atitudes, e, consequentemente, por suas próprias falhas e erros. Mas, se cada um pensasse dessa maneira, se cada um se propusesse a trabalhar em si mesmo, já teríamos uma realidade completamente diferente.

Troque o ranger dos motores por um momento, e opte pelos batimentos do seu próprio coração. Aventure-se nas maravilhas e nos mistérios de ser quem você é, e de descobrir quem você realmente é. Faça um contrato consigo mesmo, onde você trabalha duro para obter o melhor pagamento que poderia obter: a sua própria evolução. Pode ser que nesse épico instante, você encontre a felicidade, a paz e a riqueza que tanto almejou para sua vida.

Este artigo foi publicado pelo Jornal Diário Popular, no dia 12.09.2015

20150912_195509

Anúncios